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A aventura começou efectivamente com o levantamento das motos no transitário em Lisboa, na manhã de 7 de Junho. No entanto, e porque nesse dia abateu-se uma onda de calor sobre o Continente Português, achamos por bem iniciar a viagem ao fim da tarde. Assim foi, só que, mesmo a essa hora, apanhamos cerca de 42º ao passar por Santarém, o que nos obrigou a uma paragem forçada numa área de serviço para nos refrescarmos e beber água. Apesar do intenso calor, voltamos à estrada, em direcção à Guarda e Vilar Formoso, pela A23, atravessando a fronteira de Espanha por volta das 20:30 horas, seguindo depois para Salamanca, onde jantamos. Porque havia que recuperar o tempo perdido devido à saída tardia de Lisboa, fizemos ainda mais 80 kms até Valladolid, onde chegamos pelas 01:00 da madrugada, pernoitando no Hotel NH Ciudad de Valladolid (com um preço muito elevado para a qualidade oferecida), percorridos que estavam os primeiros 598 kms. 2º dia – 8 de Junho – 1.288 kms
Saímos de Valladolid pelas 8:30, rumo a França, na tentativa de chegar neste mesmo dia a Menton, cumprindo assim o programa inicialmente proposto. Assim foi. Passamos por Burgos iniciando a descida para San Sebastian por uma sinuosa auto-estrada, a acompanhar um riacho, com paisagens muito bonitas. Pelas 12:30 atravessamos a fronteira com a França, a seguir a Irun, só parando para almoçar perto de Lourdes, num excelente restaurante de estrada com vista para os Pirinéus, que se apresentavam especialmente bonitos nesse dia, ainda com alguma neve a cobrir os picos mais altos da cordilheira. Na primeira paragem para reabastecimento, já em território francês, ficamos espantados com o preço da gasolina – 1,27 euros por litro ! De volta às excelentes mas dispendiosas auto-estradas francesas (nesse dia passamos por mais de 15 portagens, pagando aproximadamente 100 euros no total), passamos por Narbonne, Montpellier, Marselha e, já ao fim da tarde, Cannes, Nice e o Mónaco, com o por de sol a emprestar um tom doirado às colinas que abraçam estas belíssimas cidades da Riviera Francesa, ou Côte D’Azur, como é melhor conhecida. Chegamos a Menton, a última cidade do Sul de França antes da fronteira Italiana, onde já havíamos ficado na viagem do ano anterior, até à Sardenha, e que tanto havíamos gostado, eram já cerca das 21:00 horas. Foi só tempo de tomar um revigorante duche no nosso já conhecido Hotel Princess & Richmond, tentando nos restabelecer dos 1.288 km percorridos neste dia, num bom ritmo, jantando num dos muitos restaurantes da marginal, frente ao tranquilo e espelhado mar Mediterrâneo. Estávamos cansados mas satisfeitos por termos conseguido recuperar o tempo perdido no primeiro dia de viagem. 3º dia – 9 de Junho – 762 kms
Depois de uma noite tranquila e repousante em Menton, estávamos prontos a iniciar uma das etapas mais esperada da nossa viagem, ou seja, a visita à Eslovénia, a que se seguia a Croácia. Só deixamos o hotel em Menton pelas 10:00 horas, atravessando a fronteira Italiana, 15 minutos depois, em Vintemiglia. Seguiu-se a sempre bonita mas sinuosa auto-estrada que bordeja a Riviera Italiana, com vistas sumptuosas sobre San-Remo, Savona e Génova. Não fosse a poluição que enfrentamos ao atravessar os muitos túneis desta estrada de montanha, diria que é uma das estradas mais desafiantes de Itália em termos de condução. Contudo, foi precisamente nesta estrada que apanhei o primeiro susto da viagem. Um automobilista italiano quase me atirava para fora da estrada quando, inadvertidamente, mudou de faixa de rodagem sem aviso prévio, numa velocidade muito apreciável. Valeu-me a eficiente actuação do ABS da minha FJR para evitar o pior. Infelizmente, e já perto de Génova, o céu azul que se fazia sentir de manhã, encobriu rapidamente e até chegamos a apanhar alguma chuva, com a temperatura a baixar substancialmente até Veneza. Pelo caminho almoçamos num restaurante da nossa já conhecida cadeia Auto-Grill, perto de Cremona, parando em seguida, junto ao Lago di Garda, para descansar um pouco e apreciar a grandiosidade da paisagem. Entre Verona e Veneza o trânsito era intenso, o que nos obrigou a ziguezaguear por entre as longas filas de carros e camiões TIR, que por vezes, chegavam mesmo a parar. Mas conseguimos recuperar o tempo perdido na auto-estrada que liga Veneza a Trieste, já perto da fronteira da Eslovénia, que atravessamos pelas 17:00 horas. Infelizmente o meu GPS não tinha os mapas actualizados da antiga Europa do Leste pelo que, logo após atravessarmos a fronteira, perdemo-nos numa das muitas auto-estradas recém construídas da Eslovénia. Valeu-nos a ajuda de um guarda fronteiriço para reencontrarmos a direcção certa até Piran, uma pequena cidade medieval da costa Eslovena, onde pernoitamos no Hotel Piran, muito bem localizado frente ao mar Adriático, a um preço muito acessível. Se já estávamos muito bem impressionados com a excelente rede viária da Eslovénia, ficamos ainda mais encantados quando começamos a descer em direcção à pitoresca cidade de Piran, onde chegamos pelas 18:00 horas, depois de percorridos mais 762 kms. Foi só tempo de arrumar rapidamente as motos, as malas e tomar um revigorante duche para iniciarmos a visita a esta pequena cidade, um autêntico museu ao ar livre, com as suas estreitas vielas medievais, encimadas pela imponente Catedral de S.Jorge e, por detrás, um grande castelo. Felizmente o sol voltara a brilhar, o que nos permitiu assistir, já à hora do jantar, a um radioso por de sol na esplanada de um restaurante à beira-mar. 4º dia – 10 de Junho – 487 kms
No dia seguinte levantamo-nos bem cedo para continuar a nossa visita a Piran, subindo até à sua Catedral, com uma vista soberba sobre a cidade e cujo interior tivemos o privilégio de visitar graças à gentileza de uma simpática idosa, encarregada da limpeza. Passeamo-nos ainda pela praça central e pela bem apetrechada marina, antes de regressar ao hotel e retomar a nossa viagem rumo à Croácia (Hrvatska de seu nome original), mais precisamente à cidade de Split, eram cerca das 10:30 da manhã. Antes passamos ainda por Portoroz, outra conhecida estância de veraneio Eslovena, mais turística mas muitíssimo bem arranjada, cheia de espaçosos jardins, muito floridos. Atravessamos a fronteira entre a Eslovénia e a Croácia pelas 11:20, seguindo depois em direcção a Rijeka, para tomarmos a bonita mas sinuosa estrada secundária A8, que bordeja o Adriático até à cidade de Split, onde nos esperava o ferry para a vizinha ilha de Brac, o destino final desta nossa viagem. Foi uma delícia percorrer quase toda a costa Croata, a poucos metros do mar e a ritmo moderado, para apreciar convenientemente as paisagens, de rara beleza, proporcionadas pelas muitas baías recortadas da costa e pelas centenas de ilhas que podemos avistar (das 1.185 ilhas da costa Croata, também conhecida, por esta razão, como as Caraíbas do Adriático), fazendo-nos sentir, nalguns locais, como que a passear num arquipélago. Nesse dia almoçamos em Senj, num espaçoso restaurante junto à estrada, com uma varanda debruçada sobre o mar, onde começamos a nos aperceber da tranquilidade da vivência Croata. O som do mar, afagando as rochas, só era ocasionalmente interrompido pelo roncar das muitas motos com que nos cruzamos nesse dia, sobretudo de colegas Alemães e Holandeses. À tarde continuamos a nossa viagem pelo litoral, até Split, embora o céu tenha ficado subitamente encoberto e a temperatura descido até aos 17º. Aliás, praticamente toda a nossa viagem de ida foi marcada por um tempo muito instável. Ora um céu azul e um calor quase insuportável, ora um tempo escuro e sombrio, quase chuvoso. Antes de chegar a Split, passamos ainda pelas cidades costeiras de Zadar e pela cidade património de Trogir, qualificada pela Unesco, e que infelizmente não tivemos oportunidade de visitar porque já se fazia tarde para apanhar o último ferry da Jadrolinija com destino à ilha de Brac, o que aconteceu às 21:00 horas, percorridos que estavam mais 487 kms. Depois de uma viagem de 50 minutos, chegávamos a Supetar, na ilha de Brac, seguindo de imediato para o Hotel Pastura, na tranquila vila piscatório de Postira, onde ficamos muitíssimo bem instalados durante a revigorante semana de praia que gozamos em Brac, só interrompida durante um dia para uma inesquecível visita à cidade de Dubrovnik, mais conhecida como a "pérola do Adriático". 5º e 6º dia – 11 e 12 de Junho
Depois de instalados no Hotel Pastura, onde fomos muitíssimo bem recebidos - obrigado Toni Buljevic, Michael, Adriana e todo o restante pessoal do hotel que nos receberam de forma tão amável e hospitaleira, tornando ainda mais agradável a nossa estadia em Brac – passamos todo o primeiro dia na belíssima praia de Zlatni Rat, um ex-líbris da Croácia, uma enorme língua de areia que se estende, em forma de triângulo, sobre o Adriático. Havia que recuperar a energia consumida ao longo dos últimos quatro dias de viagem, em que percorremos 3.135 kms. Embora, e nos dias que se seguiram, tenhamos quase sempre frequentado esta bela praia, aproveitamos as tardes para explorar a lindíssima ilha de Brac. Com uma área de apenas 398 km2, a ilha está repleta de pitorescos recantos e magníficas baías, rodeados por muitas vilas e aldeias de casario branco, quais presépios muito bem arranjados, a que se juntava, invariavelmente, uma bonita e antiga igreja, no centro do povoado. Aliás, a pedra branca de Brac é famosa. Foi com esta que se construíram muitos monumentos na Europa e nos Estados Unidos, como é o caso da Casa Branca, em Washington. Para além da beleza e do sossego da ilha, a hospitalidade, amabilidade e cultura da população, que quase sempre falava Francês ou Inglês, não deixou, também, de nos impressionar pela positiva. 7º e 8º dia – 13 e 14 de Junho
Depois de mais uma manhã de praia, à tarde voltamos a vestir o nosso equipamento motard para apanhar o ferry das 18:00 horas para Split, de onde rumamos à cidade de Dubrovnik, para uma visita de um dia. Chegados a Split rumamos a Sul, percorrendo cerca de 200 kms, sempre pela estrada costeira, com umas altas e imponentes montanhas de pedra de um lado e o calmo mar Adriático de outro, onde pelas 20:30 se escondeu o astro rei, depois de um lindíssimo por de sol, que salientou ainda mais o recorte contrastante das montanhas continentais, mergulhando abruptamente no mar, repleto de pequenas ilhas. Ao contrário do que havíamos previsto, chegamos à fronteira da Bósnia-Herzegovina era já noite. Aí aconteceu o segundo episódio desagradável da viagem. Ao atravessar os escassos 12 kms em território Bósnio e depois de passarmos por uma vila muito degradada e com mau aspecto, eis que deparo com um grupo de polícias mal-encarados, que me mandam parar porque, supostamente, havia passado a localidade em excesso de velocidade. Depois de um diálogo de surdos (os Bósnios falavam muito pouco inglês), os três polícias, com aspecto ameaçador, rodearam a nossa moto, pediram-me os documentos e obrigaram-nos a ir até ao carro da polícia, onde nos mostraram um arcaico controlador de velocidade, com a indicação de 62 km/h. Porque a moto do casal Paz Ferreira seguia mesmo atrás de nós, assim como outros carros que não foram "incomodados", ainda solicitei uma foto da minha moto, que obviamente não dispunham, fazendo ainda troça de mim por tal pedido. | HOME | OS AÇORES | MOTOTURISMO | PASSEIOS & VIAGENS | MOTOS | LINKS | |
Itinerário da viagem Paragem para almoço perto de Lourdes ![]() Em Piran, na Eslovénia ![]() Por-de-sol em Piran ![]() A bonita vila de Piran ![]() A praça principal de Piran ![]() Estrada litoral na Eslovénia ![]() um dos novos túneis da Eslovénia ![]() Baía da estrada litoral da Croácia (A8) ![]() Vista do restaurante em Senj ![]() Embarque no ferry de Split para a ilha de Brac ![]() Porto piscatória da vila de Postira ![]() Baía de Postira ![]() Costa Sul da ilha de Brac ![]() Duplo rail na ilha de Brac ![]() A tranquila paisagem de Brac ![]() As minhas paixões na vila de Splitska ![]() A pacata vila de Pucisca ![]() A Elisa, rodeada de hortências, em Sumartin ![]() As duas motos em Sumartin ![]() Pequeno farol em Sumartin ![]() Baía de Postira vista do hotel ![]() A Elisa em Postira ![]() A almoçar na praia de Zlatni Rat ![]() A Elisa em Supetar ![]() | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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