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Comecei a não gostar da "brincadeira" até que me perguntaram quanto e qual o dinheiro que trazia. Obviamente não respondi pelo que, depois de uns olhares ameaçadores, para meu espanto, pediram-me "apenas" 25 euros. Como não tinha euros paguei o correspondente em moeda Croata (200 kunas). Apercebendo-me que aquilo era um autêntico assalto, perpetrado por um "gang de polícias armados", apressei-me a dar-lhes o dinheiro, sem antes pedir ainda um recibo como "recordação", o que obviamente me foi negado. Afinal o dinheiro era mesmo "para os copos", como confirmei posteriormente no hotel em Brac. Tratava-se de uma operação habitual para extorquir dinheiro aos turistas. E tive muita sorte de pagar apenas uns míseros 25 euros, certamente porque trazia pouco dinheiro trocado na carteira. Apesar deste lamentável episódio, a viagem até Dubrovnik valeu mesmo a pena. Tivemos a oportunidade de visitar, à chegada, o centro da cidade velha à noite, e, no dia seguinte, toda a cidade e a imponente muralha que rodeia as suas bonitas catedrais, conventos e mosteiros, incluindo uma bem conservada sinagoga e a farmácia mais antiga da Europa (fundada em 1318 pelos Franciscanos), que também visitamos. Não há dúvida que Dubrovnik é, de facto, a "pérola do Adriático", um local obrigatório para quem visita a Croácia. No regresso de Dubrovnik, feito na tarde do dia 14 de Junho, e para não ser de novo "incomodado", atravessamos o território Bósnio a 40 km/h. Mesmo de dia aqueles escassos quilómetros têm muito mau aspecto, com um piso em péssimo estado. Voltei a sentir alguma intranquilidade ao passar pelos sinais que, na estrada, indicavam a direcção para Sarajevo e Mostar, palcos de guerra até há bem poucos anos. Poucos quilómetros depois, já na Croácia, passamos por uma série de belos e tranquilos lagos, dois dos quais, curiosamente, nos fizeram lembrar a Lagoa das Sete Cidades em miniatura, mas sem eutrofização. Para encurtar a viagem de regresso, optamos por apanhar um ferry em Makarska, directo a Sumartin, no extremo oriental da ilha de Brac. Isto permitiu-nos chegar ao hotel à hora do jantar, a que se seguiu o habitual e tranquilo serão, passado no bar do hotel, mesmo em frente ao mar, com o pequeno porto de Postira em fundo, apenas ouvindo, de quando em vez, alguns rouxinóis que, juntamente com as andorinhas e borboletas, abundam por entre os pinhais e olivais de Brac. 9º ao 11º dia – 15 a 17 de Junho
Tal como nos dias anteriores, continuamos a passear pela ilha de Brac, ora fazendo praia, ora banhando-nos nos muitos portinhos da ilha, aliás assaz parecida com a ilha do Pico. Não fosse o colorido branco dos povoados, o sul da ilha de Brac, de onde se avista a vizinha ilha de Hvar, muito estreita e comprida, em muito nos fez lembrar o canal Pico – São Jorge. 12 º dia – 18 de Junho – 1.215 kms
Foi com muita pena que, às 06:30 da manhã, embarcamos no ferry novamente em direcção a Split, chegando assim ao fim a nossa memorável estadia na ilha de Brac onde, ainda assim, percorremos cerca de 800 kms, muitos deles feitos sem capacete, cujo uso era facultativo na ilha, não contando com os 368 kms realizados aquando da visita a Dubrovnik. No ferry, durante a viagem, um cartaz turístico da Croácia chamou-me a atenção. Por cima de uma bonita foto, lia-se "Croatia: Natural stress relief". Não podia ter encontrado melhor definição para este País, que agora começa a despertar para o turismo e, estou certo, dentro de poucos anos será um destino muito procurado. Oxalá que, também ali, a mão do homem não destrua o que de tão belo a natureza criou. O percurso de regresso à Eslovénia e Itália, foi feito pelo interior, permitindo-nos constatar o grande desenvolvimento que também se verifica na Croácia, nomeadamente em termos de infra-estruturas rodoviárias, com excelentes auto-estradas e longos túneis, de construção recente. Chegamos à fronteira da Eslovénia pelas 13:30, atravessando, pouco depois, a fronteira Italiana, perto de Trieste. Porque o calor era muito (38º), paramos para almoçar e descansar um pouco num "Auto-Grill", a caminho de Veneza, regressando à estrada com o intuito de tentar chegar ainda a Menton, no sul de França. Assim foi. Depois de atravessarmos todo o norte de Itália a bom ritmo, chegamos à Riviera Francesa pelas 21:00. Neste dia percorremos 1.215 kms, passando por quatro países (Croácia, Eslovénia, Itália e França), num total de 10 horas de condução, sendo que os últimos 150 kms, realizados entre Génova e Menton, foram extremamente exigentes em termos de condução, num percurso montanhoso cheio de curvas e contra-curvas e túneis, atravessados a uma velocidade apreciável por entre muito trânsito, obrigando a uma condução muito atenta e cuidadosa. Chegados a Menton, já cansados, não conseguimos encontrar qualquer quarto de hotel disponível, certamente por ser Sábado. Depois de percorrermos desesperadamente diversos hotéis, a resposta era sempre a mesma: "complet". Valeu-nos uma simpática recepcionista de um hotel em Menton que conseguiu reservar-nos dois quartos noutro hotel, mas em San-Remo. Assim, e depois de jantarmos em Menton, regressamos à estrada para fazer uns curtos mas penosos 22 kms até San-Remo, ainda por cima em sentido inverso ! Chegamos finalmente ao Grand-Hotel di Londra, que parecia ter parado no tempo, mais precisamente na década de 60, eram já 01:00 hora da madrugada, bastante cansados mas satisfeitos. Afinal havia sido um dia pleno de emoções, tanto ao nosso gosto. Tomamos o pequeno-almoço na Croácia, almoçamos na Itália, jantamos em França e fomos dormir a Itália. Nada mais internacional ! 13 º dia – 19 de Junho – 938 kms
Depois de um merecido descanso, deixamos a bonita baía de San-Remo eram já cerca das 10:00 horas da manhã, sem antes parar para fazer a última revisão periódica às motos, nomeadamente o nível do óleo, fluído de refrigeração, óleo dos travões e pressão dos pneus, aproveitando também para reabastecer, pois a gasolina era um pouco mais barata em Itália. Ao contrário do inicialmente previsto, decidimos rumar a Biarritz em vez de Irun, não só por ser um pouco mais perto mas também porque já havíamos ficado nesta cidade francesa, em 2003, aquando da nossa viagem à Noruega, e gostamos bastante desta conhecida estância balnear, e de surf, do Sudoeste de França. Voltamos a atravessar a fronteira, passando novamente perto de Menton, Mónaco, Nice, Marselha e, finalmente, Montpellier, onde paramos para almoçar num restaurante de uma área de serviço, novamente sob um sol radioso mas um calor intenso (37º), eram cerca das 14:00 horas. Retomamos a estrada, em direcção a Toulouse e depois a Biarritz, onde chegamos pelas 19:00, depois de percorridos mais 938 kms da fase final da nossa aventura. Já perto de Biarritz e um pouco à semelhança do que acontecera na viagem à Noruega, assistimos à explosão de um turbo, desta feita de um automóvel e, felizmente, ao ar livre, em plena auto-estrada. De qualquer forma foi estranho deparar, subitamente, com uma enorme bola de fumo a circular a alta velocidade à nossa frente, sem percebermos bem do que se tratava. Ligamos os quatro piscas, chegamo-nos para o lado esquerdo da via e, só depois de ultrapassarmos a viatura (um modelo antigo do Renault Laguna), demo-nos conta do que realmente se tratava. Certamente por ser Domingo e o tempo estar magnífico, cruzamo-nos também com muitos colegas motards, trocando até impressões com alguns "colegas de aventura" nas áreas de serviço, ao longo da auto-estrada. Depois do revigorante duche e de um bom jantar, fomos ainda passear um pouco, a pé, pelo centro da cidade, na marginal junto à praia, até cerca das 23:00 horas. Como o tempo estava escuro e frio em Biarritz, à cautela fui verificar, na Internet, as condições meteorológicas no Golfo da Biscaia, para verificar se, no dia seguinte seguíamos até La Coruña e Santiago de Compostela, os últimos destinos desta nossa viagem, ou se regressávamos directamente a Lisboa. Confirmada que estava a previsão de mau tempo também no norte de Espanha, decidimos regressar a Lisboa, para gáudio dos nossos filhos, que assim nos viam regressar um dia mais cedo. 14 º dia – 20 de Junho – 1.006 kms
Pelas 8:30 da manhã deixamos o hotel Íbis em Biarritz (os nossos hoteis de estrada preferidos em termos de preço / qualidade), com rumo directo a Lisboa. O tempo estava muito escuro e um pouco fresco (18º). Deparamos até com alguns chuviscos ao passarmos perto da San Sebastian, no Norte de Espanha, cuja fronteira atravessamos pelas 9:00 horas. Como se já não bastasse o tempo desagradável, o muito trânsito que se fazia sentir nas estradas do Norte de Espanha, dificultou ainda mais este nosso longo regresso a Lisboa, fazendo-nos até tomar uma direcção errada em Burgos, perdendo cerca de 30 minutos até que o GPS nos colocasse de novo no rumo certo. A partir de Burgos o Sol começou a surgir e a temperatura a subir rapidamente para mais dos 30º, continuando a aumentar até Portugal, onde chegamos a apanhar 40º perto de Castelo Branco. Porque as saudades da boa gastronomia Portuguesa eram já muitas, optamos por forçar mais um pouco o andamento, atravessando a fronteira do nosso País, em Vilar Formoso, eram cerca das 13:00 horas locais (14:00 de Espanha), parando em Almeida, uma bonita vila rodeada de um imponente castelo, por onde havia passado umas semanas atrás, aquando da participação no "7º Portugal de Lés-a-Lés". Depois de um saboroso almoço, tipicamente nortenho, regressamos à estrada, já com um calor insuportável, que todo o equipamento de segurança motard agrava ainda mais, obrigando-nos a parar com mais frequência para beber muita água, evitando-se assim alguma desidratação. Perto de Castelo de Branco, onde se fazia sentir uns insuportáveis 40º, deparamos com um incêndio florestal de enormes proporções, cujo fumo cobria mesmo a auto-estrada A23 em que seguíamos. O fumo era tanto que, por momentos, o sol desapareceu e a cor da auto-estrada tornou-se acastanhada. Um cenário dantesco que nunca havíamos presenciado antes, com helicópteros de ataque a incêndio a rodopiarem por cima de nós. Paramos para o último reabastecimento (gasolina e muita água) já perto de Portalegre, eram perto das 17:00, chegando finalmente aos apartamentos dos nossos filhos, nas Olaias, em Lisboa, eram cerca das 18:30. Como sempre eles estavam muito satisfeitos por nos reencontrarem, não conseguindo esconder o habitual alívio ao nos verem regressar destas longas aventuras em duas rodas. Assim foram os últimos 1.006 kms desta nossa inesquecível viagem à Croácia, num total de 7.477 kms percorridos em apenas 14 dias. Com mais esta aventura, feita na sempre agradável companhia dos nossos bons amigos Teresa e Carlos Paz Ferreira (foi pena que a minha irmã Ani e o meu cunhado Manuel Carreiro, desta feita, não nos pudessem acompanhar), somamos já mais de 50.000 km percorridos por esta Europa fora, ainda que a meta seja chegar aos 100.000 km, se a saúde o permitir, claro ! Qualquer das motos, a Honda Pan-European ST 1300 do Carlos e a minha Yamaha FJR 1300/A não registaram qualquer problema técnico, confirmando assim a sua grande qualidade, conforto e vocação estradista. Não restam dúvidas que são autênticas devoradoras de quilómetros. Estatística:O melhor: A estadia na ilha de Brac e a visita a Dubrovnik O pior: O incidente policial na Bósnia Total de Kms: 7.477 (incluindo 798 kms na ilha de Brac) Total de dias: 14 Consumo médio: 7,1 litros / 100 kms. A melhor média foi feita em Brac com 6,2 lts. / 100 kms. Problemas técnicos: Nenhum Custo total da viagem: Cerca de 3.500 euros por casal, incluindo a estadia em Brac. Países visitados: Portugal, Espanha, França, Itália, Eslovénia, Croácia e Bósnia-Herzegovina | HOME | OS AÇORES | MOTOTURISMO | PASSEIOS & VIAGENS | MOTOS | LINKS | |
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