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Começamos a preparar as nossas Yamaha FJR 1300 um mês antes da viagem. Para além da revisão geral, substituição dos pneus, pastilhas de travão e do óleo de motor, montamos também pára-brisas mais altos, instalamos as top cases e o indispensável sistema de som / intercomunicação da Autocom, com um rádio / CD montado dentro da top case. Para não nos esquecermos de nada, preparamos também um check-list da viagem. A 4 de Junho embarcamos as motos num contentor para Lisboa. Quando as fui levantar ao transitário, apanhei o primeiro susto da viagem. Ao abrir o contentor deparei com as duas FJR caídas, não obstante os esticadores e sacos com que as havíamos estivado. Felizmente as motos só sofreram alguns riscos nas carenagens laterais e no espelho. 1º dia – 9 de JunhoSaímos de Lisboa pelas 9:30 da manhã, em direcção à Guarda. Chegamos a esta bonita cidade nortenha à hora do almoço e, depois de um delicioso repasto, partimos em direcção a Valladolid, passando por Salamanca, onde paramos para um passeio no centro histórico da cidade, repleta de magníficos monumentos. Chegamos a Valladolid ao fim da tarde, onde pernoitamos pela primeira vez. 2º dia – 10 de JunhoDepois de uma noite mal dormida, devido à expectativa de visitar uma das paragens mais belas desta viagem – os Picos da Europa – levantamo-nos cedo e, pelas 9 da manhã, já estávamos a caminho de Potes, passando por Palência e Aguillar del Campo, onde paramos para tomar um café. A sinuosa estrada de montanha entre Aguillar del Campo e Potes, por entre falésias e lagos, é fabulosa, com paisagens deslumbrantes de cortar a respiração. O trânsito na estrada era mínimo. Cruzamo-nos apenas com alguns carros e dois grupos de motard que faziam o circuito inverso, para além de alguns pastores que acompanhavam pachorrentamente os seus rebanhos de ovelhas pela estrada. Chegamos a Potes por volta do meio dia. Depois de um agradável passeio a pé nesta vila muito rústica, bem no centro dos Picos da Europa, almoçamos num restaurante típico, com uma repousante vista para a ribeira que atravessa a localidade. Depois do almoço e porque o meu colega Carlos gosta muito de futebol, tivemos ainda tempo de assistir ao final do jogo entre Portugal e a Polónia, a contar para o Mundial 2002. À tarde retomamos a estrada em direcção a Santander, continuando a atravessar os Picos da Europa entre veredas a penhascos, numa bonita estrada recortada na montanha, bordejada por uma sinuosa ribeira. Porventura animado pela vitória de Portugal sobre a Polónia, aproveitei para dar o "gosto ao pulso" tentando acompanhar um rápido Lotus Spirit amarelo de um casal Inglês que conhecemos em Potes. As nossas expectativas confirmaram-se pois os Picos da Europa foram, de facto, dos locais mais belos por onde passamos durante a nossa longa viagem. Neste dia percorremos cerca de 1.000 kms. Chegamos a Bordéus por volta das 19:00 horas depois de atravessarmos o norte de Espanha e a excelente auto-estrada que liga Biarritz a Bordéus, embora neste troço deparamos com um dos perigos mais frequentes nas auto-estradas, pedaços de borracha deixados no meio da estrada por camiões TIR. Atingir um destes pedaços de borracha a 180 / 200 kmh é queda certa ! Em Bordéus ficamos num hotel da cadeia Ibis. Para além de terem garagem para guardar as motos em segurança, estes hotéis oferecem uma qualidade bastante razoável a um preço acessível pelo que, daqui em diante e sempre que possível, optamos por ficar em hotéis desta mesma cadeia, que detém ainda os hotéis Etap e Formule l, ainda mais económicos. Bastava escolher o hotel do destino seguinte, através do directório da Ibis, e reservá-lo comodamente na recepção, antes da partida. Só não ficamos em hotéis desta cadeia em Innsbruck e Milão, no primeiro caso por não existirem hotéis na cidade e, no segundo, porque estavam lotados. Neste dia à noite, em Bordéus, o meu colega Carlos fez furor no restaurante, envergando a camisola nº 9 da selecção nacional, usada pelo nosso conterrâneo Açoriano Pauleta. 3º dia – 11 de JunhoDepois de uma noite bem dormida, de manhã regressamos à estrada com destino a Paris. Neste dia à tarde e pela única vez durante toda a viagem, apanhamos uma forte chuvada. Foi a única vez que necessitamos usar os nossos eficientes fatos de chuva. O único problema com que nos defrontamos foi o "spray" levantado pelas viaturas, que nos sujavam os pára-brisas e as viseiras, dificultando a visão. Também não gosto da insegurança que se sente ao viajar nestas condições. À velocidade em que rodamos ficamos com a sensação que, se porventura for necessário travar mais bruscamente, certamente não temos hipóteses de o fazer em segurança sem ABS. Felizmente que a nova FJR 1300/A de 2003 já traz este equipamento de série. Chegados a Paris e pela primeira vez nesta viagem, eu e o Carlos desencontramo-nos. Comecei a ziguezaguear por entre o muito tráfego à entrada da cidade mas o Carlos, por sinal bem mais prudente do que eu, não se atreveu a fazer o mesmo com as malas montadas, ficando irremediavelmente para trás. Acabamos por nos contactar por telemóvel. Como eu é que tinha o endereço do hotel, combinamos encontrar-nos na torre Eiffel, o ponto de referência mais fácil em Paris. Assim foi e, ao fim da tarde, chegávamos finalmente ao hotel. Contrariamente ao que havíamos inicialmente planeado e porque já conhecíamos a cidade, ficamos apenas um dia em Paris. Como o trânsito em Paris é de loucos (bem pior que Lisboa), as motos ficaram na garagem do hotel e passeamo-nos pela cidade a pé e de autocarro. À noite fomos jantar com uma prima minha que vive em Neully-sur-Seine. 5º dia – 13 de JunhoPara escapar ao tráfego infernal de Paris, saímos bem cedo em direcção a Munique, a nossa próxima paragem, onde chegamos pelas 16:00 horas. Já na Alemanha, numa das auto-estradas sem limite de velocidade, decidi testar a velocidade de ponta da minha FJR. Infelizmente, ao chegar aos 240 km/h e porque já não conseguíamos comunicar através do intercomunicador àquela velocidade, a Elisa deu-me um violento "aperto" impedindo-me de testar os 260 ! De qualquer forma fiquei impressionado com a rapidez e facilidade com que a FJR acelera até aos limites. A auto-estrada parecia que afunilava e os carros que seguiam no mesmo sentido pareciam que vinham contra nós, tal era a velocidade de aproximação. Foi uma experiência inesquecível. Escusado será dizer que nos quilómetros seguintes tive de andar a menos de 100 km/h para que o meu prudente amigo Carlos se reaproximasse. Depois de fazer o check-in no hotel, fomos visitar Munique a pé. Gostei muito da cidade embora o custo de vida seja muitíssimo elevado. Tivemos um jantar muito agradável na esplanada de uma das mais típicas cervejarias da cidade, por sinal tristemente célebre por ser a favorita de Hitler. Ao serão estávamos todos muito excitados e entusiasmados pelo facto de, no dia seguinte, iniciar-se a etapa mais bonita da nossa viagem, atravessando a Aústria, Hungria e a Suiça. 6º dia – 14 de JunhoA ânsia de iniciar a próxima etapa da nossa viagem era tanta que às 8:00 da manhã já estávamos de novo na estrada, em direcção a Viena e depois Budapeste, na Hungria, o ponto mais distante desta nossa aventura. A caminho de Viena passamos por um local lindíssimo, a pequena cidade de Mondsee, na Áustria, junto do lago com o mesmo nome, em pleno Tirol Austríaco, rodeado de montanhas majestosas, com os cumes a beijarem o céu azul. Chegamos a Viena à hora de almoço onde, para grande desespero do Carlos, assistimos à derrota da selecção Portuguesa frente à Coreia. Desde aí nunca mais usou a camisa do Pauleta. Cabisbaixos pela derrota mas satisfeitos por saber que dentro de dois dias regressaríamos a Viena para uma estadia mais prolongada, lá partimos com as nossas FJR’s para Budapeste, que dista pouco mais de 200 kms de Viena. Chegamos a Budapeste pelas 16:00 horas. Ficamos muito bem impressionados com a qualidade das estradas da Hungria, pelo menos com a auto-estrada que liga as duas cidades. O único problema foi os muito lentos e fumegantes Trablants com que nos cruzamos na estrada, que para além da poluição, contrastavam fortemente com os excelentes carros austríacos. Curiosamente não se vêem muitas motos na Hungria, tanto assim que as nossas FJR’s fizeram algum sucesso nas ruas de Budapeste. Aliás a cidade de Budapeste foi uma agradável surpresa para todos nós, com os seus majestosos monumentos e palácios debruçados sobre o rio Danúbio. A cidade é muito limpa, bem arranjada e tem excelentes hotéis e restaurantes com agradáveis esplanadas viradas para o rio. Até custa a crer que, há uma dezena de anos atrás, esta cidade integrava o bloco soviético. O hotel Ibis de Budapeste, por exemplo, foi de todos o melhor da viagem. No dia seguinte, para melhor conhecermos Budapeste, fizemos um visita guiada à cidade que incluiu um passeio de barco pelo Danúbio. Foi um dia memorável que culminou com um faustoso jantar junto às muralhas da cidade velha, em Buda, ao som de violinos. 8º dia – 16 de JunhoDepois da inesquecível visita a Budapeste, regressamos a Viena, agora para uma estadia de dois dias, para visitar convenientemente a cidade. No primeiro dia deambulamos a pé pelo centro da cidade, uma autentica cidade-museu da cultura. Por todo o lado sente-se cultura no ar. Como não podia deixar de ser, assistimos a uma fabulosa opereta num dos muitos palácios de Viena. Um espectáculo de encher a alma. No dia seguinte fizemos uma visita guiada aos principais pontos turísticos desta deslumbrante cidade, das mais belas que jamais visitei. 10º dia – 18 de JunhoSaímos de Viena, de manhã, em direcção a Innsbruck, atravessando coração do Tirol Austríaco. É das zonas mais bonitas da Áustria, com enormes cordilheiras montanhosas cruzadas por rios, que correm sinuosos entre vales, cobertos de uma vegetação luxuriante. Graças às excelentes auto-estradas Austríacas e porque Innsbruck dista apenas cerca de 500 kms de Viena, chegamos ao início da tarde à cidade, fizemos o chek-in no hotel e porque o tempo estava maravilhoso, aproveitamos o resto da tarde para percorrer, de moto, grande parte da cordilheira montanhosa que rodeia a cidade, com as suas famosas estâncias de ski. Foi um passeio soberbo, com paragens nos miradouros mais conhecidos e nalguns cafés com vista para a cidade, fazendo ainda pequenos passeios a pé nos pastos verdejantes em redor das estâncias de ski. Ficamos com vontade de voltar a Innsbruck, talvez para umas férias na neve. 11º dia – 19 de JunhoPorque sabíamos que nos esperava outro grande dia, levantamo-nos cedo para rumar à Suíça. Tomamos a direcção de Zurique, para depois atravessar a Suíça de Norte a Sul, até Milão, já em Itália. Estava novamente um dia esplêndido, com céu azul e uma temperatura muito agradável. Para poder apreciar convenientemente a paisagem Suíça, neste dia andamos mais devagar, a uma média de 100 km/h, ao som de um CD de Mozart, que havíamos comprado em Viena. Não tenho palavras para descrever a beleza deste passeio, porventura o mais belo de toda a viagem, atravessando uma panóplia de lagos, túneis, pontes e montanhas. Enfim, uma paisagem de sonho ! Foi também neste dia que, graças à velocidade reduzida, fizemos a melhor média de consumo de toda a viagem – apenas 5,25 litros / 100 kms. Almoçamos em Lugano, uma bonita cidade do sul da Suíça, junto ao lago com o mesmo nome, que nos fez recordar a cidade de Mónaco, que havíamos visitado aquando da nossa viagem de mota a Corfu, em 2001. Chegamos a Milão pelas 17:00 e, como habitualmente, depois do check-in no hotel e um duche revigorante, fomos visitar o centro da cidade. Confesso que fiquei algo decepcionado com Milão. No meu entender a beleza da cidade resume-se ao centro histórico, mais precisamente a zona da Catedral e os monumentos circundantes. 12º dia – 20 de JunhoDeixamos Milão de manhã, bem cedo, em direcção a Barcelona. Uma tirada de cerca de 1.000 kms que acabou por ser das mais rápidas de toda a viagem. Atravessamos o norte da Itália, com os seus muitos túneis, curvas e contra curvas, muitas das vezes negociadas a mais de 160 km/h. Embora muito exigentes em termos de condução, as estradas do Norte da Itália são excelentes para quem pretende sentir a verdadeira adrenalina. A única vez que perdi a concentração, à saída de um túnel, passei por cima de um tracejado branco e a moto fugiu-me às duas rodas, a cerca de 160 kms/h. Deixei a mota agarrar de novo o asfalto sem tocar nos travões, que levariam a uma queda mais que certa. Foi o maior susto de toda a viagem ! Todo o Sul de França foi também percorrido a boa velocidade, depois de nos "picarmos" com um veloz BMW Z3 M1 que fazia o mesmo trajecto. O BMW só tinha vantagem porque precisávamos reabastecer todas as duas horas e meia. Mesmo assim apanhamos e ultrapassamos o BMW por diversas vezes, quase até à fronteira de Espanha. Chegamos a Barcelona pelas 18:00, mesmo a tempo de apanhar o ferry para Palma de Maiorca, onde ficamos cerca de uma semana, relaxando num resort nos arredores de Alcudia. Mesmo assim ainda fiz cerca de 1.500 kms nos oito dias que estivemos em Palma de Maiorca. 21º dia – 29 de JunhoNo dia 28 de Junho à tarde regressamos de Palma de Maiorca, num fast ferry da Transmediterranea, pernoitando em Barcelona. Neste dia à noite e depois de uma discussão com um vendedor de um posto de abastecimento, que exigia o pré-pagamento do combustível, acabei por perder o meu cartão Visa. Felizmente que a Elisa deu por falta deste na manhã seguinte, na primeira portagem em Espanha, no caminho de regresso a Lisboa, cancelando-o de imediato sem qualquer prejuízo. Mais uma vez e para não variar, enganamo-nos ao passar por Madrid, falhando o cruzamento para a N-6, mas rapidamente retomamos o caminho certo rumo a Badajoz e Lisboa, onde chegamos por volta das 18:00. Foi a maior tirada de toda a viagem. Percorremos cerca de 1.300 kms em 12 horas. Embora tivéssemos todos adorado esta memorável viagem, já sentíamos saudades de casa. Estatísticas:O melhor: A travessia da Suíça O pior: O facto do meu amigo Carlos se ter apaixonado pela nova ST 1300, que vimos em Palma de Maiorca, e ter trocada a sua FJR pela Honda dois dias após a sua chegada a Lisboa. Total de Kms: 8.965 (incluindo 1.456 kms em Palma de Maiorca) Total de dias: 21 Consumo médio: 8 litros / 100 kms. A melhor média foi feita na Suiça, com 5,25 lts. / 100 kms. Problemas técnicos: Absolutamente nenhum em qualquer das motas. Custo total da viagem: Cerca de 5.200 euros por casal, incluindo a estadia em Palma de Maiorca. Países visitados: Portugal, Espanha, França, Alemanha; Áustria, Hungria, Suíça e Itália. Cidades visitadas: Salamanca, Valladolid, Potes, Bordéus, Paris, Munique, Viena, Budapeste, Innsbruck, Milão e Barcelona. Quem tiver o programa Autoroute pode fazer aqui o download do trajecto da viagem. | HOME | OS AÇORES | MOTOTURISMO | PASSEIOS & VIAGENS | MOTOS | LINKS | |
Mapa da viagem Em Salamanca A Elisa em Potes Eu e a Elisa em Potes Picos da Europa A assisitr ao Mundial Paragem para almoço Perto da torre Eiffel Na torre Eiffel Em Munique Em Mondsee Em Budapeste De barco no Danúbio Ainda no Danúbio Em Viena No centro de Viena Em Innsbruck Algures na Suíça A Elisa a fotografar em andamento na Suíça Em Lugano Em Milão Em Barcelona Ainda em Barcelona Em Palma de Maiorca Ainda em Palma de Maiorca Gozando o sol de Palma Eu e o Doctor PSI em Palma O "descanso do guerreiro" em Palma Cansados mas satisfeitos por regressar a Lisboa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
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