De regresso a casa, após mais uma memorável viagem pela Europa, desta feita à descoberta dos Alpes Austríacos, desde a passada 4ª Feira, dia 05.07.2006, que sou um feliz proprietário do mais recente modelo da Yamaha FJR 1300, mais precisamente o modelo A/S (sem embraiagem, que é controlada electronicamente), uma das primeiras unidades deste modelo vendidas no nosso País.
Percorridos que foram já os primeiros 300 kms nesta minha nova FJR A/S, nas situações mais diversas, julgo poder partilhar convosco, de forma mais completa e fundamentada, as minhas primeiras impressões sobre esse novo sistema que, ao contrário do que alguns julgam, não é um sistema de transmissão automática já utilizado nas maxi-scooters, mas sim uma tecnologia inovadora, semelhante à utilizada nos Fórmula 1 e que, estou certo, será o futuro do mundo das duas rodas.
Como já referi e passados os primeiros quilómetros, que, confesso, metem alguma confusão, rapidamente me adaptei ao novo sistema , cujos prós e contras passo a transcrever:
Pontos fortes:
- A opção pela caixa sequencial de punho é o ideal para cidade e percursos lentos, que não exigem mudanças rápidas de caixa de velocidades, como certamente será também o caso em longas viagens. O sistema é extremamente simples, eficaz e, sobretudo, confortável.
- A possibilidade de usar simultaneamente a caixa sequencial de mão e de pé (evidentemente sem embraiagem) é o ideal para percursos mais rápidos, que exigem reduções rápidas e a potência necessária na altura certa. Usa-se o selector do punho esquerdo para subir as velocidades e o pé para as reduções. Esta técnica é a ideal pois permite-nos concentrar apenas no controle da travagem e/ou aceleração da moto.
- Quando é necessário engrenar uma velocidade mais baixa e/ou alta, devido ao regime do motor, o indicador de mudança engrenada, em destaque no painel de instrumentos, começa a piscar, o que é um bom auxiliar de condução.
- Basta uma pequena desaceleração para engrenar as velocidades sequenciais, o que dá uma rapidez acrescida à nova A/S, quer em aceleração quer em redução.
- Embora não traga qualquer vantagem para quem, como eu, habite numa zona de clima ameno, como é o caso dos Açores, é de notar ainda que o modelo A/S traz, de origem, punhos aquecidos. No meu caso concreto preferia que a moto trouxesse, de série, um "cruise-control" para as minhas longas viagens pela Europa.
Pontos fracos:
- A falta de "ponto de embraiagem" numa moto deste porte pode levar a alguma atrapalhação inicial até encontrarmos o ponto ideal de aceleração para que a moto arranque de forma suave e segura. Só comecei a encontrar esta aceleração ideal depois de umas boas dezenas de "pára / arranca". Este sistema também requer alguma habituação relativamente à potência necessária a aplicar em estradas muito sinuosas e de montanha, nomeadamente no caso de um gancho muito apertado a subir, em que geralmente se recorria à embraiagem.
- O botão de redução manual de velocidade fica próximo da buzina, o que pode originar, inicialmente, algumas indesejadas “reduções sonoras” ...
Em termos gerais e para além de tudo o que já foi dito e escrito sobre o novo modelo 2006 da FJR (maior maleabilidade geral, melhores travões, caixa de velocidades mais suave e menos ruidosa, eliminação do calor do motor nas pernas, etc.), continuo a achar que o potente motor da FJR merecia uma 6ª velocidade.
Quanto ao painel de instrumentos, muito mais bem conseguido e visível que no modelo anterior, no meu entender só peca por ter os sinalizadores de piscas demasiado pequenos. Se no modelo anterior, que os indicadores eram enormes, por vezes já me esquecia do pisca ligado, agora esqueço-me vezes sem conta. Deve ser da idade ...
Por outro lado o pára-brisas de origem, pelo menos para os meus 1,85 metros de altura, continua a não proporcionar a necessária protecção ao vento frontal, pelo que já encomendei um pára-brisas mais alto, da GIVI.
Por fim o novo desenho e maior dimensão dos retrovisores proporcionam uma muito melhor visibilidade, o que é bastante importante, sobretudo em viagem. Isto porque os espelhos maiores permitem também à pendura estar atenta ao que se passa à retaguarda, podendo ajudar-nos nalguma situação mais delicada ou mesmo de distracção do condutor.
Em suma, estou muitíssimo satisfeito com a minha escolha e dou por muito bem empregues os cerca de 2.000 euros adicionais que tive de pagar pelo modelo A/S, comparativamente ao modelo base. Este novo sistema YCC-S, que já é uma realidade na Yamaha, não tenho dúvidas, será o futuro em todas as restantes motos de estrada nos tempos mais próximos !