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6º dia – 24 de Junho

Neste dia e pela primeira vez na nossa viagem, o tempo apresentava-se sombrio, frio e chuvoso pelo que decidimos alterar o nosso percurso rumando directamente para Oslo, onde o meu amigo Hennig Sunde e família nos esperavam para um churrasco.
Este dia foi bastante penoso mas permitiu-nos sentir também um pouco o difícil clima Nórdico. Na estrada voltamos a apanhar 6º C o que, debaixo de uma chuva copiosa, quase me fez enregelar, não fosse o oportuno empréstimo de um "polar" por parte do nosso amigo Hakon.
Chegamos a Oslo pelas 18:30 depois de percorridos 640 kms, uma parte destes já feitos em auto-estrada. Porque não conseguimos encontrar a "Casa de turismo rural (Berger Gard)" muito típica que havíamos reservado nos arredores de Oslo, acabamos por pedir a ajuda de um taxi para lá chegarmos. Depois do habitual e revigorante duche de fim de dia, o nosso amigo Henning Sunde foi-nos buscar para o churrasco que preparara na sua casa. Foi um serão muito divertido e simpático em que relembramos a sua estadia em São Miguel, há três anos atrás, altura em que nos conhecemos. O Henning teve ainda a amabilidade de solicitar ao Pai que nos acompanhasse, no dia seguinte, numa viagem guiada ao "ski-jump" Olímpico de Oslo, que ele próprio havia participado como atleta há muitos anos atrás.

7º dia – 25 de Junho

Às 10:00 horas voltamo-nos a encontrar com a Julia e o Hakon que, em mais um gesto de grande amizade, nos guiaram numa visita à bonita cidade de Oslo. Almoçamos perto da marina e, à tarde, fomos visitar o "ski-jump" Olímpico de Oslo, muito bem acompanhados pelo Pai do Henning Sunde. É um local imponente, com vistas soberbas sobre Oslo.
Pelas 16:00 horas e à saída do "ski-jump", despedimo-nos do Pai do Henning e também dos nossos amigos Julia e Hakon, que foram extremamente simpáticos e incansáveis para connosco ao longo da nossa inesquecível estadia na Noruega. Estivemos juntos apenas 3 dias e meio mas foi o suficiente para se alicerçar um sincera e profunda amizade. Tanto assim que, na hora da despedida, fez-se um momento de silêncio embaraçoso.
Foi com pena que atravessamos a fronteira da Noruega para a Suécia, deixando para trás um país de paisagens fabulosas, estradas magníficas e gente muitíssimo simpática, educada e ordeira. Em suma, um País onde o termo social democracia faz pleno sentido pois, da mesma forma que não vimos pobreza, também não vimos qualquer ostentação de luxo ou riqueza, sendo que o ordenado mínimo é "apenas" o quádruplo de Portugal. O próprio parque automóvel, por exemplo, pareceu-nos bastante inferior ao nacional ...
Conforme o programado, nesta tarde rumamos à Suécia, em direcção a Gotemburgo, onde chegamos pelas 19:00 depois de percorrer apenas 375 kms. Pela primeira vez nesta viagem enganei-me no percurso à entrada da cidade pelo que tivemos de pedir ajuda a um camionista que teve a gentileza de nos conduzir até à porta do hotel no tractor do seu TIR.

8º dia – 26 de Junho

Depois de uma noite bem dormida em Gotemburgo, retomamos a estrada pelas 08:30 em direcção a Berlim via Malmo, Copenhagen e Gedser, onde apanhamos o ferry para Rostok, já na Alemanha. Mais uma vez o tempo estava óptimo, o que foi praticamente uma constante durante toda a viagem. À passagem por Copenhagen encontrei-me com o Jorn Rosenkilde, um amigo de longa data das minhas lides na Internet e um apaixonado pelos Açores. Tanto assim que mantém, há já longos anos, um site muito informativo e bem ilustrado sobre os Açores, denominado "Beautiful Azores", que regista uma média de mais de 100 visitas diárias. Daí apelidar-lhe o "embaixador virtual dos Açores na Dinamarca".
Após este agradável encontro, retomamos a estrada em direcção a Gedser, onde só chegamos às 13:30, perdendo assim o ferry das 13:00, o que nos obrigou a aguardar até às 15:00 horas pelo próximo barco.
Chegamos a Rostok pelas 17:00 e partimos logo para Berlim. À entrada de Berlim falhei mais uma vez o itinerário (a A10), o que nos obrigou a entrar pelo lado leste da cidade, já com um grande atraso, só chegando ao hotel pelas 22:00 horas, após jantarmos num restaurante motard nos arredores de Berlim. Depois de mais este engano decidi que este seria o último ano que viajava sem um GPS.
Neste dia fizemos 740 kms.

9º e 10 dia – 27 e 28 de Junho

Depois de mais uma vistoria periódica ao nível do óleo, que se manteve impecável ao longo de toda a viagem, retomamos a estrada pelas 8:00 horas em direcção a Praga, na República Checa, via Dresden. Segundo os mapas do Autoroute deveria aparecer uma indicação para Praga logo a seguir a Dresden só que, por motivos de obras, a indicação do acesso a Praga aparecia sempre inoperacional (riscado). Estranhando esta situação acabamos por parar num posto de abastecimento para tentar saber o itinerário alternativo. Qual o meu espanto quando a simpática funcionária do posto, com um grande sorriso, nos entrega uma fotocópia do trajecto alternativo. Eram certamente tantos os que ali paravam perdidos que o posto de abastecimento achou por bem prestar um serviço público gratuito de distribuição de cópias do referido itinerário alternativo. Mesmo assim o trajecto era tão complicado que acabamos por nos perder momentaneamente numa das muitas vilas por onde passamos até retomar o itinerário principal em direcção à fronteira checa. Só imaginei onde teríamos ido parar se não nos tivessem cedido aquela fotocópia ...
Já na fronteira Checa tive mais um episódio desagradável com um condutor alemão que eu havia calmamente ultrapassado pela direita momentos antes porque este, à semelhança de muitos outros condutores alemães, pouco ou nada respeitam as motos e dificilmente se desviam da faixa esquerda da auto-estrada. Certamente irado pelo sucedido, quase me atropelou quando me encontrava na bicha a aguardar a vez para passar o controlo fronteiriço. Não fosse a minha mulher a história teria acabado bem mal. A esse propósito e da minha experiência de muitos milhares de quilómetros percorridos de mota na Europa, tenho de reconhecer que os condutores franceses e os espanhóis são os mais cordiais e cuidadosos para com os motards e, os alemães, de longe os menos cordiais.
A entrada da Checoslováquia também impressionou-nos negativamente pois a prostituição junto à fronteira com a Alemanha é mais que muita. Um péssimo cartão de visita para qualquer País que, além do mais, pretende integrar a UE. Mais adiante e ao ultrapassar uma viatura numa vila ainda perto da fronteira, fui mandado parar pela polícia alegando que era proibido ultrapassar naquele local. Porque a mulher polícia só falava checo e alemão, gerou-se um longo dialogo de surdos, em que eu insistia que não havia qualquer risco contínuo na estrada e que seguia em velocidade moderada, enquanto que a polícia insistia que eu ia em excesso de velocidade e em transgressão. Finalmente e depois de me pedir os documentos e o passaporte, deixou-me seguir sem me multar. Logo aí senti o estado policial que ainda se vive um pouco por todo o País, inclusive em Praga. Na estrada para Praga encontramos várias brigadas de polícia de binóculos, em locais propícios a transgressões, numa autentica "caça à multa".
Enervado com tudo isto, falhei novamente a entrada para o centro de Praga, pelo que a única solução foi contratar um táxi que nos deixasse no hotel. O taxista, apercebendo-se do nosso desespero, cobrou 30 euros para um percurso de apenas 15 minutos. Bem me haviam avisado que, na Checoslováquia, devemos sempre discutir o preço antes de entrar num táxi, mas a vontade de chegar ao hotel era já muita depois dos 420 kms percorridos com demasiadas peripécias de permeio.
Neste dia tivemos ainda a oportunidade de dar um passeio a pé pelo centro da bonita cidade de Praga e, no dia seguinte, integramos duas visitas guiadas ficando a conhecer quase a totalidade da cidade, com as suas bonitas pontes e imponentes monumentos debruçados sobre o rio Vtlava. Em Praga só não gostamos da autêntica exploração feita ao turista. É tudo demasiados caro e, nalguns casos, bem mais que a própria Noruega.

11º dia – 29 de Junho

Para tentar fugir ao calor, que aumentava à medida que descíamos em direcção ao Sul da Europa, neste dia retomamos a nossa viagem com destino a Lyon (França) às 07:00.
Curiosamente ou talvez por ser Domingo, não encontramos qualquer polícia Checo na estrada até à fronteira Alemã que, diga-se em abono da verdade, era muito melhor do que aquela por onde havíamos entrado dois dias antes, pelo Norte do País.
De qualquer forma todos nos sentimos aliviados depois de passar a fronteira Alemã, cerca das 08:15 horas. Havia acabado o clima de repressão policial !
Neste dia andamos a bom ritmo e, depois de almoçarmos em Baden-Baden, atravessamos a fronteira entre a Alemanha e a França, perto de Besançon, pelas 14:45.
Pela primeira vez nesta viagem quase nos perdíamos quando o Carlos Paz Ferreira ficou retido entre o tráfego da auto-estrada, devido à relutância dos Alemães em cederem a passagem às motos.
Depois de percorridos mais 1.126 kms, chegamos à circular de Lyon pelas 18:00 debaixo de um intenso calor. Ajudados por um colega motard Francês, chegamos ao hotel pelas 19:00. Depois do habitual duche de fim de dia, jantamos no restaurante típico “Le Gaston”, no centro histórico de Lyon, seguido de um agradável passeio a pé. Ao regressar de metro perdemo-nos à saída da estação e demoramos mais de 45 minutos à procura do hotel.
Definitivamente esta viagem foi para esquecer em termos de (des)orientação. Nem a pé !

12º dia – 30 de Junho

Mais uma vez retomamos a estrada bem cedo, às 07:00 horas da manhã, rumo a Valência, na tentativa de fugir novamente ao calor e apanhar o ferry das 17:00 para Ibiza.
Atravessamos a fronteira entre a França e a Espanha, perto de Girona, pelas 10:30, parando mais tarde para almoçar num restaurante de estrada a seguir a Barcelona.
A caminho de Barcelona cruzamo-nos com milhares de "Harley Davidson" que regressavam da concentração comemorativa dos 100º aniversário da marca, realizado naquela cidade.
O calor era muito, o que tornou bastante penosa esta penúltima etapa da nossa viagem. Além do mais não conseguimos chegar a Valência a tempo de tomar o ferry das 17:00 horas para Ibiza, o que nos obrigou a fazer mais cerca de 90 kms até Dénia, num contra-relógio terrível para apanhar o ferry das 19:00. Depois de uns penosos 1.098 kms, feitos quase sempre debaixo de temperaturas superiores a 30º C, chegamos finalmente a Dénia, somente 30 minutos antes da partida do ferry.
Às 24:00 horas estávamos finalmente no Hotel Blau Park em San Antoni (Ibiza).

13º ao 21º dia – 1 a 9 de Julho

Passamos 9 dias maravilhosos em Ibiza, a fazer praia e a repousar dos cerca de 9.000 kms percorridos nos 13 dias anteriores.
Mesmo assim percorri 911 kms em Ibiza, visitando as muitas praias e bonitas enseadas da ilha.
No último dia, ao lavar a mota antes de regressar a Portugal, danifiquei o "joystick" do meu auto-rádio.

22º dia – 10 de Julho

Pelas 14:00 horas apanhamos o ferry em Ibiza, de regresso a Dénia, onde só chegamos pelas 19:30 devido a um atraso à partida do barco.
Para não variar voltei a perder-me à entrada de Valência, só conseguindo encontrar o hotel Express by Holiday Inn San Luis às 22:00 horas, graças à ajuda de um taxista.
Enervado pelo facto de me ter novamente perdido, ao chegar ao hotel e já parado, desequilibrei-me e deixei cair a mota. Graças aos protectores de carenagem, ganhei apenas uns arranhões na mala direita, mas fiquei com uma enorme mossa no ego. Depois de mais este episódio a intenção de adquirir um GPS era já uma certeza.

23º dia – 11 de Julho

Mais uma vez estávamos de volta à estrada bem cedo, às 07:00 horas da manhã, ávidos para regressar a Lisboa.
Como ponto de honra e ao contrário do que acontecera em anos anteriores, desta vez não me perdi ao atravessar Madrid pelas 11:00 horas da manhã.
Neste dia mantivemos um andamento bastante rápido, atravessando quase toda a Estremadura Espanhola antes do almoço.
Paramos para almoçar já perto de Badajoz, pelas 14:00, com a temperatura a atingir os 42º C à sombra ! Atravessamos a fronteira Portuguesa pelas 15:00 horas locais e, às 16:30, estávamos em Lisboa, a atravessar a ponte Vasco da Gama, depois de percorridos os últimos 1.008 kms de uma viagem memorável e, acima de tudo, sem incidentes dignos de registo.
Para grande pena nossa, só depois de chegar a Lisboa e ao aceder à Internet, deparei com um simpático e-mail enviado pelo Deputado "motard" Rodrigo Ribeiro no dia anterior, quando já estávamos na nossa viagem de regresso a Lisboa, oferecendo-se para nos receber junto à Assembleia da República. Teria sido a cereja que faltava a encimar um inesquecível "bolo" de 10.958 kms. Fica para a próxima !

Não satisfeito com tantos quilómetros, no dia seguinte ao da minha chegada a Lisboa, integrei o "1º Encontro FJR1300PT", um belo passeio e um momento alto de confraternização entre proprietários de Yamaha’s FJR 1300 em Portugal e outros colegas motards. O encontro realizou-se no centro do País, na zona da Serra da Estrela.
Percorremos cerca de 900 kms em 2 dias, mas esta já é outra história...

Estatística:

O melhor: A estadia na Noruega
O pior: O incidente do túnel na Noruega
Total de Kms: 10.859 (incluindo 911 kms em Ibiza)
Total de dias: 23
Consumo médio: 7,6 litros / 100 kms. A melhor média foi feita na Noruega com 5,65 lts. / 100 kms.
Problemas técnicos: Uma ligeira anomalia no alarme, em França, e a avaria do “joystsick” do auto-rádio, já em Ibiza.
Custo total da viagem: Cerca de 4.000 euros por casal, excluindo a estadia em Ibiza.
Países visitados: Portugal, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha; Dinamarca, Noruega, Suécia e Republica Checa


Não perca estas grandes filmagens, a bordo de uma moto, na Noruega: video 1; video 2; video 3. Créditos roadmc.com

  Versão PDF do relato da viagem (sem fotos)

  Relato escrito pelos nossos amigos Noruegueses Julia e Hakon Blom »»

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Passando junto a um glaciar
Passando junto a um glaciar

A caminho do glaciar de Brigsdal
A caminho do glaciar de Brigsdal

Foto de grupo junto ao glaciar de Brigsdal
Foto de grupo junto ao glaciar de Brigsdal

A caminho de Geiranger
A caminho de Geiranger

Zona montanhosa antes de chegar a Geiranger
Zona montanhosa antes de chegar a Geiranger

Descida a caminho de Geiranger
Descida a caminho de Geiranger

O magnífico fiorde de Geiranger
O magnífico fiorde de Geiranger

Ainda o fiorde de Geiranger
Ainda o fiorde de Geiranger

Outra prespectiva do fiorde de Geiranger
Outra prespectiva do fiorde de Geiranger

As verdejantes paisagem Norueguesa
As verdejantes paisagem Norueguesa

Travessia de um fiorde
Travessia de um fiorde

Um dos muitos parques de campismo da Noruega
Um dos muitos parques de campismo da Noruega

As fabulosas estradas de montanha da Noruega
As fabulosas estradas de montanha da Noruega

Descida em direcção a Trollveggen
Descida em direcção a Trollveggen

Trollveggen, a maior escarpa de pedra da Europa
Trollveggen, a maior escarpa de pedra da Europa

Em direcção ao Norte (Kristiansund)
Em direcção ao Norte (Kristiansund)

A Estrada do Atlântico a caminho de Kristiansund
A "Estrada do Atlântico" a caminho de Kristiansund

Às 23:00 horas, aguardando pelo ferry para Kristiansund
Às 23:00 horas, aguardando pelo ferry para Kristiansund

Em Oslo com o Lasse, filho do meu amigo Norueguês Henning Sunde
Em Oslo com o Lasse, filho do meu amigo Norueguês Henning Sunde

Em Oslo, junto ao Museu Viking
Em Oslo, junto ao Museu Viking

No Frognerparken em Oslo
No Frognerparken em Oslo

A Elisa no Frognerparken em Oslo
A Elisa no Frognerparken em Oslo

Do alto do ski-jump Olímpico de Oslo
Do alto "do ski-jump" Olímpico de
Oslo



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