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Depois da memorável mas longa viagem de 11.000 kms até à Noruega, realizada o ano passado, desta vez optamos por um destino mais próximo, a Itália, visitando o Principado de Andorra, Florença, Roma e a Sardenha, aproveitando para assistir também ao MotoGP de Itália, em Mugello.

Como a minha irmã e o meu cunhado Manuel Carreiro decidiram-se por um destino ainda mais próximo, o Sul de Espanha, nesta viagem apenas tivemos a sempre agradável companhia do casal Paz Ferreira, na sua Honda Pan-European.

Como sempre planeamos a viagem nos seus mais ínfimos detalhes e, a 18 de Maio, embarcamos finalmente as motos para Lisboa.

Ainda em Lisboa aproveitamos para trocar os nossos capacetes Shark RSR Summum, que já estavam algo largos e ruidosos, pelos novos Schuberth S1, adquiridos na Motoponto, onde aproveitei para comprar também umas luvas novas para a Elisa. Como era necessário transferir o sistema de som para os novos capacetes, o Mário Moniz e o seu sócio Carlos, da Mocasmoto, agentes da Autocom no nosso País, tiveram a gentileza de reinstalar os auscultadores e microfone nos novos Schuberth, na véspera da nossa partida.

1º dia – 1 de Junho de 2004 – 1.122 kms

A manhã radiosa que se fazia sentir em Lisboa no dia 1 de Junho prometia mais uma viagem de sonho. Mal sabíamos nós que esta viagem, a mais curta até então realizada pela Europa, seria a que mais incidentes teria.

Depois das despedidas à partida do apartamento de Olaias, em Lisboa, em que os nossos filhos mal disfarçaram a habitual inquietude ao nos verem partir para mais uma "aventura" de alguns milhares de quilómetros em duas rodas, deparei com as primeiras contrariedades. Havia esquecido o meu telemóvel no apartamento do meu filho, localizado no outro lado da cidade (Queijas), e que o meu novo GPS não funcionava. Como era difícil regressar a Queijas em plena hora de ponta, combinei com o meu filho encontrarmo-nos no Barreiro, perto de onde ele trabalha, para que me entregasse o telemóvel. Ainda sem GPS, perdemo-nos no Barreiro, só nos encontrando com o meu filho cerca das 10:30, o que atrasou a nossa partida em cerca de duas horas e meia. Para recuperar o atraso optamos por um andamento vivo em direcção a Madrid, só parando para almoçar e reparar o GPS eram já 14:30, numa Área de Serviço Galp, a menos de 100 kms de Madrid. Depois do almoço e graças à ajuda de um pronto-socorro, descobri que o GPS apenas tinha um fusível fundido. Como não tinha nenhum de reserva e necessitava do GPS para atravessar Madrid, optei por fazer uma ligação directa.

Assim foi e, com a preciosa ajuda do GPS, atravessamos a capital espanhola sem qualquer erro de percurso. Mal necessitava olhar para a sinalética da estrada pois recebia todas as indicações através do sistema de som da minha moto, bastando conferir com o mapa que se desenrolava no visor do GPS. Foi a minha primeira experiência com este fabuloso equipamento, cuja eficiência e facilidade de utilização, confirmada ao longo de toda a viagem, me deixou maravilhado.

À maneira que rumávamos em direcção ao Norte, o calor ia-se dissipando tornando menos penoso o percurso de 1.122 kms, previsto para este primeiro dia de viagem, até Lleida. Mesmo assim e depois de jantarmos num dos muitos restaurantes de estrada da cadeia Medas, só chegamos ao hotel Lleida pelas 23:00 horas.

2º dia – 2 de Junho de 2004 – 352 kms

Como o percurso até Perpignan não era muito longo, só saímos do hotel pelas 9:30 em direcção ao Principado de Andorra. À maneira que subíamos os Pirinéus em direcção a "Andorra La Vella", aumentava a beleza da paisagem. A sinuosa estrada de montanha, ziguezagueando entre lagos, escarpas e vales ensolarados, faz as delícias de qualquer motard. Neste dia rodamos calmamente para apreciar as majestosas paisagens de Andorra que, nalguns locais, nos fez lembrar a anterior viagem à Noruega.

Conforme o previsto paramos em "Andorra La Vella" para almoçar e visitar a cidade, repleta de restaurantes e lojas com óptimos preços, sobretudo no que concerne equipamentos electrónicos. Só foi pena que as malas das nossas motas estivessem repletas de roupa. Mesmo assim as mulheres sempre encontraram um "cantinho" para arrumar uns perfumes e umas bijutarias que não resistiram comprar.

Pelas 15:00 voltamos à estrada em direcção à estância de esqui "Pas de La Casa", mesmo no cimo dos Pirinéus. Pelo caminho fomos parando nos muitos miradouros, com deslumbrantes vistas sobre as montanhas. Depois de visitar a pitoresca cidade de "Pas de La Casa", onde lanchamos, partimos em direcção a Perpignan, onde pernoitamos.

Ao descer os Pirinéus apanhei o primeiro susto da viagem quando, numa curva apertada da estreita estrada de montanha, surgiu-me um autocarro de turismo em sentido contrário, no meio da faixa de rodagem. Não fosse o ABS da minha FJR, dificilmente teria evitado o acidente. Mas antes deste episódio, felizmente sem quaisquer consequências para além do natural susto, verificara já que a direcção da minha moto estava a puxar para a direita. Não dei importância ao facto e continuamos, no ritmo habitual, em direcção a Perpignan. À entrada da cidade e ainda por falta de prática com navegação GPS, falhei uma saída da auto-estrada, o que nos obrigou a fazer mais de 24 kms até retomarmos a direcção correcta para o hotel Íbis. De qualquer forma fiquei espantado com a rapidez com que o GPS recalculou o trajecto, depois desta minha falha, deixando-nos exactamente à porta do hotel, eram já cerca das 19:00 horas.

3º dia – 3 de Junho de 2004 – 534 kms

Saímos de Perpignan pelas 8:30 da manhã em direcção a Menton, uma pequena cidade situada mesmo junto à fronteira italiana. Neste dia o percurso foi todo feito em auto-estrada, o que é sempre monótono, além do mais fustigados pelo vento que habitualmente se faz sentir no Sul de França e que dificulta bastante a condução a velocidades mais elevadas. Foi justamente numa destas auto-estradas que a Elisa, ao tentar sintonizar o rádio portátil, perdeu uma das luvas novas que lhe havia comprado em Lisboa. Àquela velocidade e com o intenso tráfico que se fazia sentir, era impossível voltar atrás, pelo que ela optou por nada me dizer.

Ainda antes do almoço comecei a notar uma trepidação estranha na direcção da minha FJR, que se agravava substancialmente sempre que abrandava. Verifiquei a pressão dos pneus aquando da paragem para almoço mas, como estava normal, continuamos a nossa viagem, chegando à pitoresca cidade de Menton pelas 16:00 horas. Mais uma vez e graças ao GPS, chegamos rapidamente ao centro da cidade e encontramos o hotel Princess & Richmond, uma pequena unidade de 43 quartos muito confortável e bem localizada frente ao mar, a um preço bastante acessível. Aproveitando o excelente fim de tarde que se fazia sentir fomos ainda até ao solário e jacuzzi, situado no último piso do hotel, com uma bonita vista sobre o mar e as montanhas, onde ficamos até à hora de jantar.

Depois de um agradável passeio pela avenida litoral da cidade, bordejando a Riviera Francesa, jantamos num restaurante típico junto à marina. No regresso ao hotel fomos surpreendidos pela primeira chuvada da nossa viagem. De um momento para o outro ecoou uma grande trovoada e começou a chover copiosamente. Chegamos ao hotel um pouco molhados mas, mesmo assim, agradavelmente surpreendidos com esta pitoresca cidade, muito ajardinada, limpa e impecavelmente bem arranjada.

4º dia – 4 de Junho de 2004 – 483 kms

Foi com pena que, na manhã seguinte, deixamos Menton em direcção a Florença, o próximo destino desta nossa viagem. Felizmente o mau tempo da noite anterior havia-se dissipado e o sol voltara a brilhar.

No regresso à estrada a condução da minha FJR tornava-se cada mais difícil pelo que já em Itália, perto de Génova, ao pararmos noutra área de serviço, decidi telefonar ao Concessionário Yamaha em Ponta Delgada relatando o que estava sucedendo. À distância e de acordo com os sintomas que enunciei, o Mestre Luís suspeitou que a direcção estivesse larga, aconselhando-me a parar no concessionário mais perto para reapertá-la. Como incluo sempre no meu completo dossier de viagem os contactos e direcções de todos os Concessionários Yamaha por onde conto passar, telefonei para a "Yamoto" em Génova para combinar a reparação. Assim foi só que, com o enervamento que estas situações sempre provocam, quase deixava tombar a moto, não fosse um simpático italiano, dono de uma scooter, socorrer-me quando, já no limite das minhas forças, ia mesmo deixar cair a moto. Porém o meu novo capacete Schuberth não teve a mesma sorte e ganhou uns fortes riscos ao cair da moto.

Porque só chegamos a Génova perto do meio dia, tivemos de aguardar pacientemente até que a oficina da “Yamoto” reabrisse, após o intervalo para almoço. Foi então que o mestre que testou a moto reparou que não se tratava de qualquer problema de direcção mas sim uma enorme bolha no pneu da frente, prestes a rebentar. Bem bom que tal não sucedeu pois, em auto-estrada e a alta velocidade, nunca mais controlaria a moto, sendo que as consequências de uma queda nestas circunstâncias poderiam ter sido graves. Aproveitei para montar dois pneus novos já que o pneu de trás provavelmente não aguentaria o resto da viagem. Só regressamos à estrada em direcção a Florença pelas 17:00 horas. Mas os azares ainda não tinham terminado. Introduzi mal as coordenadas do hotel de Florença no GPS e fomos parar a outro hotel, no extremo oposto da cidade. Reintroduzidas as coordenadas só chegamos à porta do Holiday Inn Florença eram já perto das 21:00 horas.

Depois do habitual e revigorante duche fomos jantar ao bonito centro de Florença, aproveitando depois para nos passearmos um pouco a pé pela cidade.

5º dia – 5 de Junho de 2004

O bom tempo foi uma constante durante quase toda a viagem. Neste dia acordamos cedo para ir visitar a romântica cidade de Florença, repleta de bonitos e imponentes monumentos, entrecruzados por vielas medievais.

De manhã passeamo-nos a pé e, à tarde, integramos um visita guiada, com paragem nas principais praças e monumentos da cidade, que nos deixou maravilhados.


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Itinerário da viagem
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Partida de Lisboa
Partida de Lisboa

Chegada a Andorra La Vella
Chegada a Andorra La Vella

No centro de Andorra La Vella
No centro de Andorra La Vella

Num dos muitos miradouros de Andorra
Num dos muitos miradouros de Andorra

Em Andorra, a atravessar os Pirineus
Em Andorra, a atravessar os Pirineus

A majestosa paisagem de Andorra
A majestosa paisagem de Andorra

Esperando pela mudança dos pneus
Esperando pela mudança dos pneus

Interior do pneu dianteiro
Interior do pneu dianteiro

Junto à ponte de Florença
Junto à ponte de Florença

A "Santa Elisa" em Florença
A "Santa Elisa" em Florença

Numa das muitas pontes de Florença
Numa das muitas pontes de Florença

O esplendor monumental de Florença
O esplendor monumental de Florença

A assisitir ao MotoGP de Itália em Mugello
A assisitir ao MotoGP de Itália em Mugello

O Rossi a liderar o MotoGP em Mugello
O Rossi a liderar o MotoGP em Mugello

O imponente Coliseu Romano
O imponente Coliseu Romano

Um dos muitos fontanários de Roma
Um dos muitos fontanários de Roma

Junto à Basílica de São Pedro
Junto à Basílica de São Pedro

Na praça Victor Emanuel
Na praça Victor Emanuel

Um aspecto do Fórum Romano
Um aspecto do Fórum Romano

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  © 2003, 2005 Pierre Sousa LimaOptimizado para 1024 x 768 x 16 K coresÚltima actualização: 17-07-2004