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6º dia – 6 de Junho de 2004 – 273 kms
Havia finalmente chegado um dos pontos altos desta nossa viagem – assistir ao MotoGP de Itália. Levantamo-nos bem cedo para evitar o tráfego até ao circuito de Mugello. Felizmente que o meu GPS, ao optimizar o percurso, levou-nos por estradas secundárias com pouco tráfego, pelo que, às 9:00 da manhã, estávamos já a entrar no circuito. A multidão e a confusão, tipicamente italiana, era mais que muita pelo que só chegamos à bancada Materazzi uma hora mais tarde, mesmo a tempo de assistir à primeira corrida do dia, a classe 125 cc. O circuito estava repleto de gente (cerca de 100.000 pessoas), ao que parece a maior enchente de sempre em Mugello. Ainda antes de se iniciarem as corridas tive o prazer de conhecer pessoalmente o Gianlorenzo Caccia, do Clube FJR 1300 Itália, com quem já me correspondia há algum tempo e que me ajudou a escolher a bancada onde ficamos no circuito de Mugello. Ele teve também a gentileza de me disponibilizar vários roteiros detalhados para passeios na Sardenha. Depois de assistirmos à corrida da classe 125 cc, que culminou com a vitória de Roberto Locatelli numa Aprilia, podíamos já imaginar o que se seguiria nas classes 250 cc e na classe rainha do MotoGP. E assim foi. A corrida de 250 cc foi espectacular, com a brilhante vitória de Sebastian Porto, também numa Aprilia, ao que se seguiu a tão esperada corrida da classe MotoGP, com a Yamaha do Rossi a partilhar a primeira fila da grelha de partida com as Honda do Sete Gibernau e do Niki Hayden. Caso curioso foi a enorme salva de palmas que ecoou em todo o circuito quando o Valentino Rossi apareceu antes da corrida nos ecrãs gigantes espalhados pelo circuito, em contra-ponto com a monumental vaia sofrida pelo Max Biaggi ao aparecer nos mesmos ecrãs. Sendo ambos italianos, achamos isto no mínimo estranho. A corrida foi espectacular e nunca mais esquecerei o fabuloso roncar dos potentes motores ao passarem no "S" em frente à nossa bancada, onde assistimos ao Rossi a fazer três ultrapassagens magistrais. Sempre que ele passava pela nossa bancada a maioria dos "tifozzi" levantavam-se e aplaudiam vibrantemente o seu ídolo. A paragem devido à chuva, 6 voltas antes do fim da corrida, trouxe ainda mais emoção e "suspense" relativamente ao vencedor, o Rossi ou o Sete Gibernau. Mas o Rossi não se deixou intimidar e acabou por cortar a meta em primeiro lugar, deixando em total delírio a maioria das pessoas que assistiam à corrida, incluindo nós, claro. Depois do MotoGP regressamos ao hotel em Florença onde as nossas esposas nos esperavam para seguirmos, nesta mesma tarde, para Roma, onde chegamos pelas 21:00. Foi justamente à chegada ao hotel Express by Holiday Inn Rome East que apanhamos o segundo susto da viagem. Ao chegarmos ao hotel para fazer o check-in, e quando regressarmos às motos, para ir buscar a bagagem, a Elisa diz-me que havia deixado o jogo de chaves duplas – que inclui também o comando do alarme e a chave do cadeado de disco – na fechadura da top-case e que esta já lá não se encontrava. Entrei logo em pânico pois, na posse daquelas chaves, qualquer pessoa podia roubar-me a moto. Procuramos as chaves por todo o lado durante quase uma hora, inquirimos várias vezes o porteiro se havia visto alguém a rondar a moto na altura do check-in, sem qualquer sucesso. Já desesperados e quase a chamar a polícia eis que, "por artes mágicas", a Elisa descobre a chave numa das muitas algibeiras do seu casaco de viagem, isto depois de já o ter revistado por diversas vezes. Enfim, habilidades que só ela consegue fazer ... 7º e 8º dia – 7 e 8 de Junho de 2004
Estes dois dias foram muito bem passados a visitar Roma incluindo, como não podia deixar de ser, o Vaticano. É de facto uma cidade muito bela e com uma história riquíssima. Ficamos deslumbrados sobretudo com as Basílicas de São Pedro e São Paulo, no Vaticano, e com o Fórum Romano, onde se sente bem o peso dos mais de dois milhares de anos que nos separam da civilização Romana, como é o caso, por exemplo, do magnífico Coliseu, construído para acolher, na altura, mais de 50.000 pessoas. 9º dia – 9 de Junho de 2004 – 148 kms
Era chegada a altura de deixarmos Roma, das cidades mais bonitas que até hoje visitamos, e rumarmos para Civitavechia, a 104 kms de distância, para embarcarmos num ferry da Moby Lines até Olbia, na ilha Sardenha, onde chegamos no mesmo dia pelas 19:30. Porque os azares ainda não haviam terminado, durante a viagem e por motivos que desconheço, fui acometido de uma violenta subida de febre, só debelada após tomar vários medicamentos com que me faço sempre acompanhar em viagem. Foi ainda com alguma dificuldade que percorri os sinuosos 44 kms de estrada de montanha que separam o porto de Olbia do hotel Stelle Marine, no tranquilo e belo Golfo de Arzachena (Costa Smeralda), onde ficamos instalados. Felizmente que foi um mal de pouca dura e, depois de um agradável jantar, estava novamente em forma para gozar uma excelente semana de praia na Sardenha. 10º ao 15 º dia – 10 a 15 de Junho de 2004
Foi de facto uma semana muito bem passada na bonita ilha Sardenha onde, para além de visitar e frequentar várias praias, realizamos ainda diversos passeios, seguindo os roteiros gentilmente disponibilizados pelo meu colega Gianlorenzo, do Grupo FJR1300 Itália, que nos permitiu percorrer um total 1.021 kms. Porque a Sardenha é enorme (24.089 km2), mesmo assim só ficamos a conhecer cerca de 20 % da superfície da ilha, mais precisamente toda a costa Norte, parte do litoral ocidental, até ao Cabo Caccio, e parte do litoral oriental – toda a costa Esmeralda até Olbia. Por ser um destino bastante caro, o turismo na ilha é muito selectivo. É de realçar ainda o cuidado que o Governo Autónomo da Sardenha evidencia em termos do desenvolvimento turístico da ilha. A natureza está muito bem preservada e os muitos complexos turísticos estão totalmente integrados na paisagem, numa harmonia de rara beleza. Até a rede viária, de excelente qualidade, é composta por sinuosas mas belas estradas, ora circundando as bonitas praias e baías do litoral, ora torneando o interior montanhoso da ilha, numa sucessão de curvas e contra-curvas extremamente agradáveis para passear de moto. Deparamo-nos apenas com uma auto-estrada, que liga a ilha de Norte a Sul. Ficamos todos com vontade de lá regressar e, da próxima, conhecer a costa Sul da ilha. 16 º dia – 16 de Junho de 2004 – 156 kms
Terminada a agradável e revigorante semana de praia na Sardenha, pelas 10:00 horas da manhã rumamos a Santa Teresa di Gallura, no extremo norte da ilha, para embarcar no ferry que liga a Sardenha à Córsega, uma travessia curta que durou menos de uma hora.
Após desembarcarmos do ferry e pararmos para tomar o pequeno almoço nos arredores de Marselha, iniciamos a última etapa do nosso passeio, de regresso a Lisboa que, segundo o plano inicial, seria feito em dois dias. Atravessamos todo o Sul de França a bom ritmo, almoçando já em Espanha, depois de passar por Barcelona. Nesta altura e porque sempre gostei de testar os meus limites, comecei a desafiar a Elisa e o casal Paz Ferreira para irmos directos a Lisboa, o que no inicio mereceu naturalmente alguma resistência, não obstante o rápido regresso a casa ser sempre desejável. Assim foi e depois de percorridos mais de 1.100 kms, atravessamos Madrid pelas 19:30, eficientemente orientados pelo GPS, em direcção a Badajoz e Lisboa. Embora bastante cansativa, esta "directa" permitiu-nos ao menos evitar a sempre difícil travessia da Estremadura Espanhola em pleno dia, com temperaturas por vezes insuportáveis. Mesmo assim, às 21:00 horas, ainda se fazia sentir uma temperatura de 34 ºC. Após pararmos para uma refeição rápida, já perto de Badajoz, atravessamos finalmente a fronteira Portuguesa perto da meia-noite chegando a Lisboa às 02:00 horas da madrugada, depois de percorridos 1.755 kms, que corresponderam a 15 horas de condução. Apesar do cansaço, foi com grande alegria que regressamos ao apartamento em Lisboa onde os nossos filhos nos esperavam, naturalmente aliviados com o terminus de mais esta "aventura". Estatística:O melhor: Assistir ao MotoGP de Itália, em Mugello O pior: O defeito no pneu dianteiro Total de Kms: 6.054 (incluindo 1.021 kms na Sardenha) Total de dias: 17 Consumo médio: 8,1 litros / 100 kms. A melhor média foi feita no sul de França com 5,84 lts. / 100 kms. Problemas técnicos: O defeito no pneu dianteiro, que me obrigou à sua substituição em Génova. Custo total da viagem: Cerca de 2.800 euros por casal, excluindo a estadia na Sardenha. Países visitados: Portugal, Espanha, França (incluindo a Córsega) e a Itália (incluindo a Sardenha) | HOME | OS AÇORES | MOTOTURISMO | PASSEIOS & VIAGENS | MOTOS | LINKS | |
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